Um estudo recente, envolvendo 195 países mostrou que, apesar do declínio das taxas de mortalidade entre 1990 e 2017, houve expansão das doenças crônicas, levando uma parte substancial da população mundial a sofrer perda de saúde durante boa parte de sua vida adulta (https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)32279-7).
Vários estudos identificam a má alimentação como um dos principais fatores de risco para a inflamação crônica, que gera fatores desencadeantes de uma gama enorme de doenças crônicas, como a diabetes tipo2, doença cardiovascular, obesidade, câncer e até depressão.
A dieta ocidental típica, que se tornou amplamente adotada em muitos países nos últimos 50 anos, é relativamente pobre em frutas, vegetais e sementes, e rica em grãos refinados, com excesso de açúcar e farinhas, álcool e ultra-processados.
Alimentos com alta carga glicêmica, contendo açúcar e grãos refinados, comuns também na maioria dos alimentos industrializados, acabam provocando estresse oxidativo dentro das células, que ativam genes inflamatórios. O açúcar é considerado hoje um dos alimentos mais inflamatórios para as células do corpo e artérias.
As farinhas e grãos refinados, por não conterem fibras, prejudicam a flora intestinal, que depende das fibras para se alimentarem e produzirem substâncias importantes para o metabolismo e para manutenção das células da mucosa intestinal. Além disso, as farinhas, que geralmente são compostas de trigo, contem o glúten, componente proteico que, em excesso, provoca reações de hipersensibilidade, que podem acarretar desde flatulência até problemas mais sérios, como doenças autoimunes e depressão.
Já o sal em excesso torna-se difícil de ser eliminado, podendo criar cálculos renais e aumentando o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares. Além disso, seu excesso pode também diminuir a população de Lactobacillus no intestino, importante para a regulação da integridade da barreira epitelial intestinal. O excesso de sal pode ainda alterar células de defesa, como os macrófagos, direcionando-os a uma atuação pró-inflamatória sistêmica.
Outro componente dietético que aumenta a morbidade é a gordura trans, tão usada para a conservação por semanas ou meses de alimentos industrializados nas prateleiras dos supermercados. Esse tipo de gordura eleva os níveis de colesterol ruim (LDL-c), e diminui o bom colesterol HDL-c, propiciando depósito de placas de gordura nos vasos sanguíneos e o desenvolvimento de hipertensão arterial, doenças cardíacas e AVC.
A solução está em adotar um cardápio mais rico em vegetais e
grãos integrais, eliminando o excesso de carboidratos refinados, sal, gordura
trans e alimentos ultraprocessados.